A marcha das vadias: Slut Walk Brasil

31/05/2011 às 14h26 | Na categoria | Por matheusjor | Nenhum comentário até agora

Ele foi espancado pela polícia porque pediu: pudera, estava pelado! Eles foram atropelados porque pediram, estavam fechando a rua! Pô, matar alguém é errado, mas ele quebrou o retrovisor do cara! Estupro é ridículo, mas olha o tamanho do saia dela…

Olha o tamanho da saia dela…

E assim vamos colocando a culpa na vítima para aliviar o lado do agressor. Por essas e outras vai rolar a Slut Walk, em São Paulo no próximo dia 4, um nome irônico que poderia ser traduzido livremente para “A Marcha das Vadias“. Tudo começou no Canadá com um policial que foi a tv sugerir que as universitárias se vestissem de outra maneira de modo a evitar ‘crimes sexuais’.

Vale ler o depoimento da Solange De-Ré. E também a reportagem da Folha sobre a marcha nos EUA.

A culpa não é dos vestidinhos, dos decotes e afins. A culpa é do machismo ainda muito presente na nossa sociedade. Mas se você é do tipo que acha que as mulheres são vadias (odeio esse termo) e que você, tadinho, pode não conseguir se segurar, vale a pena dar uma olhadinha nas dicas abaixo, que encontrei no Escreva Lola Escreva:

Como evitar um estupro

  1. Não coloque drogas nas bebidas das pessoas para controlar o comportamento delas.
  2. Quando você vir alguém andando sozinha, deixe-a só.
  3. Se você encostar seu carro para ajudar alguém com problemas no carro, lembre-se de não estuprá-la.
  4. Nunca arrombe uma janela ou porta trancada sem ser convidado.
  5. Se você estiver num elevador e mais alguém entrar, não a estupre!
  6. Use o sistema de amizades! Se você não for capaz de deixar de estuprar as pessoas, peça a um amigo para ficar com você enquanto estiver em público.
  7. Seja sempre honesto com as pessoas! Não finja ser um amigo preocupado para conseguir a confiança de alguém que você pensa em estuprar. Pense em falar pra ela que você pensa em estuprá-la. Se você não comunicar suas intenções, a outra pessoa pode ver isso como um sinal que você não pensa em estuprá-la.
  8. Não se esqueça: você não pode transar com alguém a menos que ela esteja acordada!
  9. Leve um apito! Se você está preocupado que pode estuprar alguém acidentalmente, você deve dar o apito à pessoa com quem você está para que ela possa usá-lo se você tentar alguma coisa.
  10. Não estupre.

Então, bora lá participar do Slut Walk! Marque sua presença no evento no Facebook.


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Eu cago para você

26/05/2011 às 20h55 | Na categoria | Por matheusjor | Nenhum comentário até agora

Hoje eu quase fui atropelado. Eu quase sou atropelado com uma certa frequência, como todos os ciclistas de São Paulo.

Qual é o problema? O problema é que as pessoas cagam uma para as outras – com o perdão da expressão, mas que é apropriada para demonstrar o tamanho do desprezo. Vez ou outra, há o respeito à lei. Mas raramente se vê o respeito às pessoas.

Assistindo a uma câmera que mostra ao vivo o trânsito em Amsterdã, a capital das bicicletas, vi que a maioria dos ciclistas e dos carros não param para os pedestres, e isso não chega a ser um problema. Os veículos reduzem a velocidade e mantêm uma distância segura dos transeuntes e entre si. O que está em jogo é o uso consciente do espaço público, cuidando sempre do outro.

No Brasil, a maioria dos motoristas – e alguns ciclistas – simplesmente cagam pro pedestre. Tá atravessando? Não vou reduzir, não vou me importar. Ele que se cuide. O motorista de ônibus caga para seus passageiros. A empresa de ônibus caga para a qualidade de vida do motorista, que ganha mal para realizar uma das tarefas mais estressantes do mundo.

Isso não se resolve com fiscalização e punição. É paleativo. O trânsito é apenas uma reprodução da sociedade. É preciso focar na educação, na conscientização da convivência. Na educação humana e autônoma, que dá condições de refletir. Ensinar o código de trânsito e discutir a constituição desde criança. Encarar os tabus e assuntos intocados. Filosofia e sociologia na prática. Ciência que bote a mão na massa, ou melhor, na terra.

O respeito à vida não se conquista na porrada.


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Breakonsumers: a nova classe média

30/09/2010 às 21h16 | Na categoria | Por matheusjor | Nenhum comentário até agora

Há dois anos a Limo inc lançou um documentário sobre a “nova” classe média – a transformação da classe C como a verdadeira classe média do Brasil. E agora esse documentário chamado Breakonsumers foi liberado na internet – para que a informação possa fluir, como é de sua natureza!

O mote da pesquisa foi a conquista de espaço da classe C no mercado consumidor. Uma classe que cresceu muito de dez anos para cá e que, por isso, tem ganhado cada vez mais a atenção dos marketeiros: muitos produtos e serviços foram criados especialmente para esse público.

A pesquisa classificou o consumidor brasileiro em três níveis: estáveis –buscam manutenção do status quo e viver suas vidinhas em paz–, emergentes –insatisfeitos, buscam crescimento pessoal e só pensam em si mesmos– e engajados –querem mudar o mundo e se preocupam com a responsabilidade sócio-ambiental dos produtos que consome.

O nome desse documentário me deixou curioso. What the fuck are Breakonsumers? Tentei descobrir a origem. Não sei se fui bem-sucedido, mas, aqui começa a viagem:

1. Break on sumer: em português, Pausa na Suméria. Suméria, a civilização mais antiga do mundo. Pausa na civilização mais antiga do mundo? Uma pausa na pobreza, já que agora a classe C é a maior classe consumidora do país?

2. Breakonsumers: Ok, sei que viajei legal na teoria acima, hehe. Mas o sufixo sumers talvez venha da palavra “consumers” – consumidores, em inglês. “Break on” pode significar pausar, quebrar… algo relacionado a ruptura. Duas interpretações da minha parte: “consumidores quebrados” ou “quebra no padrão de consumo”.

E a viagem acaba aqui.


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“O que você faz?”, pergunta Luli Radfahrer

16/09/2010 às 12h23 | Na categoria | Por matheusjor | Nenhum comentário até agora

O que você faz? Foi com essa pergunta que Luli Radfahrer despertou uma reflexão (e um monte de tapas na cara) durante o iMasters InterACT 2009 – sim, faz tempo, mas eu estou aqui desenterrando, porque o tema é muito bom. “Entenda bem: não perguntei sua profissão ou emprego, mas O QUE VOCÊ FAZ. E como isso pode fazer a diferença”, explica Luli no post em seu blog.

Seja esperto: acompanhe o vídeo com a apresentação que o Luli disponibilizou no slideshare para você.

View more presentations from radfahrer.

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Não quero ser mártir

05/08/2010 às 18h30 | Na categoria | Por matheusjor | 1 comentário

Relato do ciclista Wagner de Carvalho:

Não quero ser morto. No caminho das compras diárias que faço de bicicleta para o café, um ônibus que vinha de trás passou tão perto que chegou a resvalar na caixa da bike. Só não me derrubou porque meu guidão é pequeno e fica para dentro de meus limites fisicos. Tenho certeza que me viu pois passou buzinando, alertando de sua passagem como quem diz: “sai da frente que tô passando!”.

Pela agressividade do motorista no trânsito achei que seria perda de tempo ter qualquer tipo de discussão com ele. Então saquei meu celular e tirei uma foto. Só que ele me viu tirando a foto, me fechou com o ônibus me obrigando a parar e saiu chingando e perguntando porque eu estava tirando fotos. Respondi que isso ele veria mais tarde.

O argumento dele foi que quase me pegou porque teve que desviar de um carro. Quer dizer: “Prefiro matar alguém do que bater em um outro carro”. Ridículo isso.

Ele saiu do ônibus e tentou dar um chute no meu celular. Me esquivei e saí do local enquanto ele teve que voltar para o ônibus, por causa da buzinação na rua. Não quero ser Martir. Quero fazer algo enquanto estou vivo, pelo menos contribuindo um pouco pra melhorar o universo a minha volta.


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Sistema de bicicletas públicas de Londres

23/07/2010 às 23h49 | Na categoria | Por matheusjor | Nenhum comentário até agora


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Nós não somos europeus. Mas somos humanos?

13/07/2010 às 23h35 | Na categoria | Por matheusjor | Nenhum comentário até agora

Meu pé já estava na rua, eu com meus colegas de trabalho, quando passou um táxi. Do mesmo jeito que veio, virou e continuou, nos impedindo de atravessar. Em seguida eles deram um passo a trás e eu não. Veio um pálio que, aproveitando o embalo, também não nos cedeu a preferência. Apressado, bateu no meu braço, deslocando o retrovisor do automóvel.

A pressa do piloto passou. Parou imediatamente para me enfrentar. Como pude ficar na frente dele? Nós estávamos em um grupo de 6 pessoas, ele era apenas um, mas ele tinha um carro. Uma falta de respeito com ele, que não teve coragem de sair do carro e deu sequência à sua viagem.

Meus amigos, então, me encontraram revoltadíssimo com a atitude do motorista. Ouvi: “Ah, mas você acha que tá na Europa?” – seguido de um riso debochado e nem um pouco contido. Ainda tentei, explicar que nós temos o direito de passar e que devemos lutar por essa preferência, mas foi em vão.

Que não somos europeus eu entendo. Mas qual é o código genético que eles têm e que nós não temos, que nos coloca tão distante de alcançar esse estágio de respeito? Se é cultural, e se a cultura é orgânica, por que tratam como loucos ingênuos aqueles que pedem por mudança?

O título deste post remete ao artigo do Denis Russo Burgierman “Nós não somos dinamarqueses”. Me encorajou a postar aqui – e vale a leitura. Apenas como aperitivo, cito um comentário dele: “Brasileiro adora carro? Adora nada, meu filho, presta atenção. Isso é propaganda de posto de gasolina!”


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Eles acham que estão seguros. Mas estão presos

01/07/2010 às 13h39 | Na categoria | Por matheusjor | 1 comentário

Só não é fraco quem não é humano.
Disso tenho quase certeza.
Esses aí que andam endinheirados
motorizados
ensufilmados
encouraçados
Esses aí que querem que eu os seja
Esses aí são os vencedores
De uma competição a qual já superei.

(Matheus Paiva)


Vídeo retirado do blog Observar e Absorver,
por indicação do blog Ciclovenção Urbana.


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Aniversário pedalante

20/05/2010 às 11h06 | Na categoria | Por matheusjor | 1 comentário

Meu aniversário foi no dia 18 (terça-feira agora!) e, para não passar em branco, eu e uma amiga (que fez aniversário dia 19 – ontem) resolvemos dar uma festa sobre rodas! A ideia é se reunir na Praça do Ciclista (Paulista x Consolação) às 22h de sábado (22) e virar a noite. Vai ter barraca de camping, até. Fogueira? Talvez. O desafio é tomar café da manhã no Ibira. Pode ir quem quiser!


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A diferença entre ser ciclista e bicicleteiro

12/05/2010 às 20h00 | Na categoria | Por matheusjor | 1 comentário

O ciclista usa roupinha coladinha, bicicleta cara. É da classe média ou média-alta. Não sai na rua sem capacete. Pratica ciclismo por esporte. Em dia de semana na USP, no fim de semana em outro lugar. Volta pra casa e pega seu carro. Ou não.

O bicicleteiro é aquele rapaz de bigode, dedos sujos, bicicleta barra-forte, chinelo e calça suja. Raramente usa capacete, pois sua vida vale pouco. Usa a bicicleta por transporte, mas promete comprar uma moto ou um carro assim que ganhar um aumento.Não tem dinheiro, coitado. Ou não.

Tudo que falei acima não é o que penso. É o que você pensa. Você que anda de carro. Você que anda de bicicleta mas que adora esclarecer  que não tem carro porque não quer. “Não pense que eu ando porque preciso. É opção! É Opção!” – claro, você precisa afirmar que não precisa de um carro para se afirmar. Você não precisa desse status quo. Todos somos iguais, mas que não te comparem com um bicicleteiro!

Minha bicicleta é cara. Em sala de aula, minha professora, na chamada: “Matheus, qual Matheus? Ah, o ciclista!” Dei uma risadinha, mas tive de corrigi-la. Ciclista não, fessora, eu prefiro bicicleteiro. Sacomé? É que eu prefiro a informalidade da bicicleta. Pedalo por transporte. E mal emagreço, droga.

Dias atrás eu pedalava pela Av. Corifeu de Azevedo Marques, Zona Oeste de SP, quando tomei uma buzinada. Ia tranquilo, de chinelo, bermuda, camiseta.  O carro passou e parou 5 metros a frente, no congestionamento.  Travei diálogo:

- Pois não?
- Pô, você tá na rua!
- Sim, é o meu lugar… não?
- Mas é perigoso! Vai pra calçada!
- Perigoso, amigo? Normalmente quem mata é o carro. Além disso, por lei eu tenho que andar na rua!
- Tá, tá, tá…
- Sério! Você não conhece o Código de Trânsito?
- Tá, tá, tá, tá, tá…

Depois do quinto tá eu resolvi deixá-lo com sua metradalhadora onomatopeica. Os tiros que dela sairam me feriram pelo contato com a surdez de um motorizado. Fui embora e ele deve ter comentado do absurdo que é um bicicleteiro por aí, solto na rua. Um perigo! Mas se eu estivesse de tênis, óculos escuros, capacete, roupa coladinha, ele businaria?

Talvez eu deva seguir a dica inconsciente de minha professora e me fantasiar de ciclista. Minha vida valerá mais. Pobre morre no trânsito todo dia. Atropelar rico dá mais problema, a mídia monta em cima. Se for gringo, pior ainda. Pena que sou moreno. Mas isso não é problema. Estou encomendando minhas lentes azuis e já comprei a água oxigenada para me transformar num loiro.


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